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Emprego Número 47: Não há mercado perfeito, deixem de nos “enganar” na faculdade!

O preço depende sempre da disposição da pessoa para pagar, o que neste momento é limitada!
Quando queremos algo, temos de dar outra coisa em troca – esta é a principal regra de qualquer mercado. Porém, não parece fazer sentido dar mais do que temos para o efeito, afinal de contas, a definição de poupança é o consumo expandido no tempo (desenganem-se aqueles que pensam que o dinheiro dura para sempre!), consumo esse que serve por exemplo para comprar outras coisas que valorizamos. Por exemplo, apesar do bom aspecto dum Aston Martin, talvez a melhor opção seja comprar um carro mais barato e ainda sobra para podermos pintar a casa que já não é pintada há muitos anos.



Dir-me-ão vocês: depende das prioridades: sim, mas em termos gerais, quanto mais cara uma coisa é, menos a irão comprar, e quanto mais barata fôr, mais a irão comprar. Pelo menos foi assim que o Dr. Bordalo Maia, me ensinou nas aulas de economia… estava assim escrito no manual!
Para quem vende, é exactamente o contrário. Querer obter lucros, cobrando o máximo possível é uma regra instituída. Se o preço de algo é elevado, mais irão trazer para o mercado na esperança de lucrar; mas se o preço de algo é baixo, menos se empenharão a vender. E mais, se o preço de algum produto nem sequer cobrir os custos, nem se incomodarão a fazê-lo chegar ao mercado.
Até aqui, a lição moral é devida dos economistas para nós marketeers.
Os economistas (leia-se, aqueles que são autores de manuais que nos ensinam as regras básicas e basilares da economia) têm a vida muito facilitada – ora vejam, construímos uma curva da procura que desce a pique (mostrando que com preços mais baixos os clientes procuram mais) e uma curva de oferta que sobe em flecha (mostrando que com preços mais altos, os vendedores oferecem mais) – é assim que os manuais nos ensinam.
O ponto onde as curvas se cruzam (o X marca o lugar), marca o preço “equilibrado” – o preço ao qual os vendedores estão dispostos a vender e os compradores estão dispostos a comprar. A este preço, andamos todos contentes, todos temos razões para sorrir: compradores satisfeitos e vendedores com o produto esgotado. Neste mercado perfeito, se as coisas funcionarem perfeitamente, dizem os manuais, que o preço gravita sempre neste feliz ponto de equilíbrio. Se os preços fossem mais altos, os vendedores iriam, com optimismo, trazer mais mercadorias para o mercado, mas seriam incapazes de as vender todas, e teriam de baixar os preços (em direcção ao preço de equilíbrio) para atrair mais compradores. Com um preço mais baixo, estariam mais interessados em adquirir, mas os vendedores estariam a fazer as malas. Os compradores teriam de oferecer mais (o preço equilibrado, na verdade) para garantir que obteriam as mercadorias que desejavam. De qualquer modo, recuariam inevitavelmente para o preço “perfeito”, ao qual a oferta e a procura estão precisamente equilibradas.
Entretanto, no século XX, apareceram os Marketers, e no século XXI morreu o Samuelson!
Pois, tudo isto é demasiado bom para ser verdade! Acho até que nunca foi…
As pessoas nem sempre compram mais de alguma coisa só porque é barata. Se alguém lhe oferecesse um tablet, tipo iPad mas que não o iPad, realmente barato, iria comprá-lo? Provavelmente não: perguntar-se-ia qual seria o problema daqueles tablets, e, em todo o caso, talvez fosse suficiente ter apenas um PC em casa.
Ninguém disse que a economia tinha que ver com a vida real, mas o mundo perfeito das explicações dos manuais, em que os mercado estão sempre equilibrados, é na verdade um lugar estranho – tipo a ilha do Lost!
E as regras do Marketing, tornaram isto ainda mais engraçado: não basta perceber muito de matemática, é preciso conhecer as pessoas!
“Os mercados mudam, os gostos mudam, por isso as empresas e indivíduos que escolhem concorrer nesses mercados precisam de mudar constantemente!” – alguém disse, e tinha razão!