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Emprego Número 38: Copiei... Escrita quase automática...

Era uma vez um pai que tinha três filhas. Uma era loira e a outra, morena.
Um dia, a morena começou a espingardar com o pai e este não esteve com meias medidas. Pô-la fora de casa.
A loira – que gostava muito da irmã mais velha – jurou vingança.
E se mal o pensou, pior o fez. O namorado tinha um amigo que trabalhava numa oficina que ajeitava bicicletas e carros esbarrados. Falou com ele e ele orientou-lhe um esquema. Ligou o bendix do Fiat Ritmo do pai da loira a uma carga de gelamonite que o Ilídio trolha sacara da pedreira do senhor Vital, de onde fora despedido.
Ao outro dia, quando o pai da loira deu à chave da viatura e accionou a ignição, ouviu-se um estouro tão grande e ele subiu tão alto, que ficou conhecido no bairro inteiro como o Carrero Blanco da Travessa da Lurdinhas.
Quem ficou fodida foi a Zira do monhé, porque teve que passar a manhã inteira a lavar com lixívia as paredes da casa da patroa, que tinham ficado cheias de sangue e com bocados do senhor Santos (assim se chamava o pai das três filhas, a loira e a morena) agarrados. “A minha sorte” – explicava ela ao monhé nessa noite – “é que os vidros se partiram todos, senão a puta (referia-se à patroa) também me obrigava a limpá-los.”
Mal souberam da explosão, as televisões correram ao local, a perguntar coisas aos vizinhos. Uma velhota falou de terrorismo e os comentadores de serviços, frequentadores dos cursos para auditores do Instituto de defesa Nacional, adiantaram logo a hipótese de haver no caso ligações à Al Qaeda.
Nessa noite, em conferência de imprensa, o presidente Obama desmentiu publicamente tais ligações. Mas depois discutiu com a mulher. Esta não gostou do desmentido:
– Podias ter aproveitado a oportunidade para arranjar um pretexto para bombardear o Afeganistão – protestava ela.
– Mas não havia ligação nenhuma – justificava-se ele.
– Não havia ligação? – Insistia ela incrédula – Não havia ligação? Não havia ligação, arranjavas uma, ora o caralho. Não és tu que mandas na CIA? Não é para arranjar ligações que esses gajos servem?
– Mas eu não quero bombardear o Afeganistão…
– Pois não! Isso sei-o eu! Queres humilhar-me, isso é que tu queres. Vou para a reunião com as outras primeiras damas e elas fartam-se de se gabar: o meu home assim, o meu home assado, o meu estourou com Hotel Al-Rasheed em Baghdad, o meu mandou para o caralho a estátua do Saddam … e eu ali calada e envergonhada, porque tu és um banana, o Bananobama, como eu sei que elas te chamam nas minhas costas.
– Mas, querida, eu sou democrata e eles eram republicanos.
– Tá calado, não me fodas, caralho. Ainda ontem estava o coirão velho da Bárbara a armar-se e a Hilária atirou-lhe logo: o meu home também fodeu a embaixada da China em Belgrado. E o Bill também era democrata. Não é por seres democrata que não bombardeias o Afeganistão. É por seres um merdas.
– Mas eu não posso. Eu sou prémio Nobel da paz.
– Ah, ah, ah, ah, deixa-me rir, prémio Nobel da paz, diz ele. Isso é alguma coisa, caralho? Até o preto do Mandela foi prémio Nobel da paz.
Se há coisa que Obama não tolera é que o comparem aos pretos. Perdeu as estribeiras e aplicou uma estrondosa bofetada na mulher.
Arrependeu-se logo. Correu atrás dela, enquanto esta fugia da cozinha humilhada e ferida no orgulho
- Miguela, Miguela, Gelinha (é assim que ele lhe chama, quando fala com ela em português, embora nunca fale com ela em português)… perdoa-me, amor…
Azar dos azares, a cena foi captada por um paparratos que se encontrava na Casa Branca e que naquele preciso momento passava na cozinha, onde fora em busca de umas sandes, porque estava cheio de fome.
No dia seguinte, a coisa estava em todos os jornais. “Presidente dos Estados Unidos da América dá porrada na mulher” – titulava o Washington Post. “Violência doméstica na sala oval” – adiantava, com menos rigor, o New York Times.
Foi um escândalo mundial.
Em Um blogue que seja seu, Woman Once a Bird fez um post escandalizado, exigindo a demissão imediata do Presidente agressor, em nome da dignidade de todas as mulheres. Funes foi lá e comentou, esclarecendo que a Casa Branca não era propriamente o T1 da Dona Ernestina e do marido. As cenas de violência que lá se passavam constituíam assuntos de Estado que não podiam ser reduzidos a meros pretextos para arroubos feministas.
“Sr, Funes” – respondeu WOaB – “se a agressão da cidadã Michelle Robinson é para si um questiúncula sem importância, um mero pretexto para arroubos feministas, então estamos conversados sobre o grau de degeneração em que o deixou a educação machista que recebeu da sociedade patriarcal em que se formou. Não vale a pena continuar esta conversa”.
Funes - que achava o seu comentário muito inteligente – ficou muito ofendido. Foi ao blogue da WAaB e rasgou-o todo em mil pedaços.
Inconformada, WOaB foi fazer queixinhas à administração da Google. Mas Funes contra-argumentou: que em primeiros, se o blogue era para ser seu, rasgá-lo era um poder que lhe assistia e não era susceptível de ofender o direito de quem quer que fosse; em segundos, que não o tinha rasgado, porque um blogue não é uma coisa que se rasgue. Tinha-se limitado a desconstruí-lo. Serviço que nem sequer lhe tinha sido pago e cuja conta aproveitava para apresentar.
A WOaB ficou destroçada e rendeu-se a estes irrefutáveis argumentos. Fechou-se em casa a reler Derrida e Michel Foucault.
– Bendix para si também – ripostou a Saphou, quando, umas semanas depois, a Maria da Conceição a saudou na rua.
A Maria da Conceição era a filha ruiva do senhor Santos.

Este post foi copiado na sua totalidade do blog http://questao-dos-universais.blogspot.com/2009/11/escrita-quase-automatica.html da autoria do Dr. António Cardoso da Conceição (El Funes).
A transcrição integral apoia-se no argumento, mais que válido afirme-se, que qualquer cidadão que não conhece o Blog Questão dos Universais, deveria render-se ao facto de já ter tido 6 anos e ter comido iogurtes feitos nas extintas máquinas de fazer iogurtes...
É preciso coragem para não rir!

Um abraço ao Funes!